domingo, 26 de dezembro de 2010

Que jornalismo é esse?

Imagine você, acordando cedo, entra no seu carro ou o metrô socado de gente rumo ao trabalho. Chega na redação e ouve: hoje você irá ao Mercadão e fará a "Feira Popular".
Esse maldito jornalismo comunitário pra mim é o fim do mundo. Pare e pense, há algo mais brochante do que ligar a TV e ver o reporter dizendo: "Acabamos de chegar na comunidade Estrela das Bolinhas, onde há um enorme buraco no meio da rua. Mas na verdade viemos até aqui para falar da história da Dona Maria, aliás, a senhora de 72 anos acabou de chupar uma manga. Dona Maria, a manga estava boa?".
Tudo bem, temos que ter o serviço à sociedade, mas creio que a forma que tem sido feita é falha.
Aqui em São Paulo todas as manhãs há um programa chamdo Radar. Nele, com toda alegria e sorriso no rosto a apresentadora diz: "na Zona Sul de São Paulo o trânsito está horroroso, olha a merda, 22 KM de congestionamento, mas se eu fosse você não iria pela Avenida Fulano de Tal para o serviço, pois lá são 18 KM de lentidão". Com essa felicidade toda a jornalista prossegue, será que essa é a melhor forma de transmitir a informação? Porra, pegar trânsito não é legal, talvez se ela estivesse fazendo pole dance seria mais estimulante.
Quando falamos em jornalismo policial logo lembramos do jurássico Percival de Souza. Seus comentários são excelentes. Por exemplo, em um caso de assassinato brutal, ao invés de fazer comentários sobre o que levou aquele caso, ele se resume apenas ao óbvio: "Como vocês podem observar, há um corpo no chão, com 7 tiros. Ele morreu por volta das 20 horas e foi um festival de tiros. Pelo visto estava envolvido com algo pesado, ou não".
Termino meu post de hoje com um belo pensamento do grande Cleber Machado para exemplificar como está nosso jornalismo hoje!

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